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Como Reproduzir meus Bettas I

    Existem muitas e muitas maneiras de se preparar o ambiente para reproduzir os Bettas. A maioria destas maneiras funciona, pois o Betta é um peixe rústico, e desde que ele já tenha alguma experiência, é fácil conseguir as desovas (o macho normalmente falha nas primeiras vezes). O grande teste para o criador ocorre já quando os alevinos começam a nadar. É quando acaba a reserva alimentícia que ele trouxe do ovo e tem que se virar para arranjar comida. Veja uma receita que foi escolhida por apresentar bons resultados:


1. Preparando o ambiente:

    O que vai garantir a sobrevida dos filhotes após o fim de suas reservas do ovo serão os elementos que compõem o plâncton - minúsculas partículas alimentícias presentes na água, formado por algas verdes, vermelhas, e micro crustáceos. Eles são presentes normalmente nas águas dos rios e lagos, mas, devido ao tratamento da água, não estão na água que sai de sua torneira, que é estéril. A primeira coisa a fazer é separar água suficiente para o uso no aquário e deixá-la descansar por 48 horas, num recipiente tampado. Depois disto, quando o cloro tiver evaporado, é só usar este segredo: consiga um pouco de água de um rio limpo, e junte aproximadamente um copo pequeno (100 ml) à água que vai para o aquário. Deixe por mais uma semana sempre fechado), e você terá uma água "viva".

    Quanto ao aquário, um bom para a reprodução é de 58x34x26 cm. Você pode usar um um pouco menor, mas evite aquelas "betteiras" de 20x10x10, pelo amor de Deus.

    Os Bettas adoram plantinhas flutuantes, mas elas possuem inconvenientes. O primeiro é que elas não vivem dentro de casa, pois precisam de sol direto, o que é difícil conseguir num apartamento, por exemplo. Outro é o de sujar muito a água. Então troque as plantas flutuantes por troncos desidratados, que podem ser encontrados em qualquer loja de aquarismo (nunca pague mais de R$ 5,00 por um). Eles cumprem bem a função de apoio ao ninho de bolhas, e servem de esconderijo para a fêmea em momentos críticos.

    Consiga também uma destas garrafas plásticas de 2 litros de refrigerante - é necessário que seja transparente - e corte com um ferro quente (um pedaço de arame quente), à altura do meio do rótulo, e guarde a parte de baixo. Guarde sempre estas garrafas: cortadas assim, são ótimos aquários de Bettas, e grátis.

    Ache um local sossegado, onde não passe muita gente, e coloque o aquário. Evite colocá-lo sobre isopor, por exemplo, porque o branco no fundo vai atrapalhar o trabalho do pai em achar os ovos que caem ao chão. Os Bettas não enxergam muito bem, você sabe. Coloque um fundo escuro, que pode ser um plástico preto por baixo do aquário.

    Coloque o tronco no aquário, e derrame a água até a altura de 10 a 15 cm. O tronco deve ser posto de tal modo que fique uma parte para fora da água. A importância da pequena coluna de água é o fato de os recém-nascidos serem muito sensíveis à pressão do fundo, e ir ao fundo numa profundidade maior seria a morte. Ajuda também a diminuir o trabalho do pai.

    Dentro do aquário, coloque a garrafa cortada com água até o nível da água de fora do aquário. Este será o recipiente para a fêmea, seguro e transparente. A temperatura mínima para a reprodução é 24 graus, e a melhor é 28-29 graus. Cuidado com o uso de aquecedores sem termostato, por causa da pequena quantidade de água. A temperatura ambiente do Brasil dispensa o uso de aquecedores na maior parte do ano, e no Nordeste, por exemplo, este é um instrumento totalmente dispensável.

    Coloque o macho no aquário. Ele deverá ser maduro sexualmente, ou seja, maior de 4 meses. Deverá estar bem alimentado - você pode até dar um "reforço" na sua dieta alguns dias antes da reprodução. Os machos de Betta vão passar um período de até uma semana sem comer, desde o início do ninho de bolhas até a independência dos filhotes. Depois de cada reprodução não esqueça do reforço da dieta, e só inicie o processo novamente depois de pelo menos duas semanas.

    A fêmea deve ser depositada dentro da garrafa, pois há a necessidade de haver um ou dois dias de "namoro" entre os dois. Logo à visão da fêmea, você vai ver o macho extremamente excitado, executando uma dança, de coreografia elaborado, que inclui tremidas, e demonstração de cores fortes e nadadeiras abertas.

    O macho deverá iniciar o ninho de bolhas, e deve levar até um dia para ele concluir o trabalho. A fêmea deve mostrar linhas horizontais contrastantes com a coloração de seu corpo, o que significa que ela está se submetendo. Uma fêmea que tenta atacar o macho a toda hora, mesmo dentro da garrafa, dificilmente se submeterá a ponto de aceitar o abraço nupcial.

    No segundo ou terceiro dia, o ninho de bolhas já deverá estar pronto, e este é o momento de soltar a fêmea. Ponha sua mão dentro da garrafa e junte os dois namorados. Um rebuliço muito grande será prejudicial ao ninho, portanto, você pode deixar a garrafa dentro do aquário até o nascimento.

    Alguns safanões fazem parte do ritual de acasalamento, e o casal deverá levar algum tempo se entendendo, e no máximo em 24 horas, deverão estar ocorrendo os abraços nupciais, que duram algumas horas. O macho se contorce pressionando o ventre da fêmea, que depois de solta dá uma tremidinha e libera os ovos já fecundados, que são recolhidos pelo macho e depositados no ninho de bolhas.

    Quando os abraços tiverem terminado, o macho vai tentar expulsar a fêmea, e ela vai procurar um bom esconderijo. Procure uma boa chance e retire a fêmea. Ela certamente estará debilitada, e até machucada. Coloque num lugar tranqüilo e alimente bem a partir do segundo dia. O trabalho agora é com o macho.

    Agora, você vai precisar fazer muito pouco, e o mínimo que você fizer, melhor. O macho se dedicará aos cuidados com os ovos, recolhendo os que caírem. 48 horas depois, os ovos se romperão, e os filhotes ficarão como que pendurados no ninho. Sua reserva de alimentos dura mais 48 horas, que será quando eles começarão a nadar livremente, com algum controle. Este será o momento em que o suporte inicial, com a mistura de água velha, vai fazer efeito. Os filhotes se alimentarão com o plâncton, algas e micro crustáceos e lentamente, vão crescendo.

    Quando os alevinos estiverem nadando livremente, é hora de começar a colocar, aos poucos, alimentação suplementar. Você pode tentar uma das diversas rações de alevinos compradas no mercado. Eu gosto muito da Tetra Mikromin (só não gosto muito do preço). Outra alternativa, menos eficiente, é colocar a ração flocada que você usa normalmente, bem esfarelada com os dedos, de modo a que os alevinos consigam comer com sua pequena boca.

    Faça essa introdução de comida com muito cuidado. Coloque muito pouco e veja se os alevinos comem. Acúmulo de comida não-comida neste momento só poluirá a água. Depois desse suporte inicial, tente colocar artêmias recém-descapsuladas ou congeladas, pois devido à quantidade de gordura e proteínas, eles vão crescer incrivelmente.

    Outra dica importantíssima neste momento são as trocas de água. Cada peixinho no aquário vai soltar hormônios que impedirão o crescimento dos outros. Essa é uma saída da mãe natureza para evitar a superpopulação concentrada num só lugar, mas não nos serve muito, não é mesmo? Como os alevinos não podem se espalhar, a concentração de hormônio faz com que todos cresçam muito devagar. A solução para isso são as trocas de água. Então, se você quer que seus filhotes cresçam muito rápido, é imprescindível trocar a água regularmente. Imagine que na Indonésia eles trocam a 100% da água todos os dias. Para nós, basta 30 a 40% da água, de três em três dias, até dois meses de idade (como eu faço).

    Bem, a partir daí, é só esperar. Com um mês eles devem estar mostrando suas cores, meio apagadinhas. Logo que você conseguir distinguir os sexos (quando as brigas começarem), vá separando os machos em recipientes separados (lembra daquelas garrafas cortadas ?).

    Com quatro meses, pode começar a reproduzir estes Bettas.