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Criando os Alevinos
 

    Sem dúvida, a parte mais difícil da reprodução dos Bettas é ultrapassar o momento crítico de mortalidade, até os doze dias, e fazê-los chegar à fase adulta. Poucos criadores conseguiram, em sua primeira tentativa, criar os filhotes. Vamos aprender algumas dicas, para aumentar nosso sucesso.

    Então, a fêmea desovou perfeitamente, os ovos romperam, removemos o macho quando os alevinos podiam nadar, mesmo com alguma dificuldade. Essa parte, tudo ok. Coloque um pouco de infusórios no aquário, para servir de alimento para os filhotes (veja artigo  infusórios). Então, ainda mantendo os alevinos no aquário que nasceram, sem aeração, os deixe crescer. Não demora para que alguns deles estejam no fundo do aquário, vivos, se movimentando em pequenos espasmos. Isso acontece porque suas bexigas natatórias ainda não estão completamente desenvolvidas, e eles não conseguem controlar a flutuabilidade na água. Como os filhotes não precisam respirar oxigênio da superfície até as 5 semanas de idade, sufocamento não é uma preocupação para nós. Por um momento, parece que eles superam todas as dificuldades, e dão uma nadadinha curta perfeita, até ser superado pelo cansaço e se deixar cair no aquário.

    Três dias após o nascimento, acaba o suprimento de comida que os alevinos traziam em seus sacos vitelinos, e esta é como nós todos sabemos, a hora crítica da perda de alevinos, pois eles precisam se alimentar, e nem sempre os alimentos estão disponíveis no aquário. Os infusórios são essenciais neste momento, e devem estar à mão. Ao colocamos os infusórios, devemos nos preocupar em criar uma pequena corrente de água no aquário, com o uso de uma pedra porosa alimentada por uma mínima quantidade de ar, suficiente somente para uma pequena cortina de bolhas, sem um rebuliço muito grande. Eu inicio a colocar infusórios na água a partir deste terceiro dia, e continuo por uns cinco dias. No sexto dia, se você tiver à mão, pode começar a dar artêmia recém-nascida, ou se não tiver, muito pouca artêmia congelada, ou flocos de boa qualidade, esfarelados com a mão, e preste muita atenção nos alevinos, em seu aprendizado e adaptação ao início da alimentação. Quando eles se adaptam às artêmias, temos quase uma garantia de que conseguiremos o sucesso da criação. Como as artêmias recém nascidas são de um vermelho leve, e a barriga dos alevinos são transparentes, com uma lente, ou um olho muito bom, podemos observar se comeram ou não. As artêmias vivas atraem mais os alevinos que os infusórios, então, é recomendável esta adaptação, mas sempre como primeiro alimento use os infusórios. Alimente os alevinos uma ou duas vezes ao dia.

    Limpar o aquário pode ser um problema. A cama (se houver, não é aconselhável), ou o fundo do aquário devem estar com uma boa quantidade de sujeira, e a água um bocado suja. Mas o sifonamento é muito complicado, pois poderia trazer os alevinos juntos com a sujeira. Uma boa receita é a seguinte:  use a pedra porosa e sua mangueirinha como sifão: desligue a mangueirinha do compressor de ar, e dê uma "chupadinha" na ponta, trazendo a água, filtrada pela pedra porosa, sem o risco de puxar os filhotes. Substitua uns 70% da água, com muita calma, por uma nova, bem descansada.

    Pode deixar o aquário com os alevinos e as artêmias como alimento até umas três semanas de idade dos alevinos. Eles vão crescer de modo desigual, e alguns filhotes são o dobro do tamanho de outros. Neste ponto, eles ainda não estão respirando ar da superfície, como os seus pais faziam.

    Com cinco semanas de idade, os filhotes deverão ter desenvolvido plenamente o labirinto, órgão de respiração que o permite respirar o ar da superfície. Com esta idade, alguns filhotes deverão estar ainda bem pequenos, e você vai notar que eles iniciarão a subir à superfície e tomar goles de ar.

    Na sexta semana, pode começar a pensar em separar os filhotes maiores para um aquário um pouco maior, ou até do mesmo tamanho do de reprodução. Observe que eles todos já devem estar com o labirinto desenvolvido (observe os goles de ar).

    Não se desiluda se lá pela décima semana de idade alguns filhotes não tenham desenvolvido um tamanho satisfatório. A literatura de Bettas promete que à décima semana, os filhotes já são "miniatura" dos pais. Na realidade, não é bem assim. Alguns fatores vão interferir diretamente no crescimento dos filhotes, como temperatura, e os hormônios na água. Todos os Bettas despejam hormônios na água, junto com sua urina, que inibe o crescimento dos outros filhotes. A solução para isso é trocar a água, a partir deste momento, o maior número de vezes que você puder. Toda semana, se você não tiver tempo, ou até mesmo, duas ou três vezes por semana, se quer um resultado rápido. Alimentação duas vezes por dia, ou até quatro vezes, se você tem tempo, e temperatura por volta dos 28 graus também vão aumentar a velocidade do crescimento. Se a temperatura é muito baixa, abaixo dos 25 graus, observe sempre para evitar a doença do veludo e o íctio.

    Daí para frente é esperar, e você terá belos exemplares que poderão estar tendo seus próprios filhotes lá pelo terceiro mês de vida.